sábado, 30 de julho de 2011

Capitulo II


- Nada não…estavas com uma cara de pânico! Foi com o Ricardo? Chatearam-se? – parei o carro de repente na berma da estrada

- Esquece Filipa! Esquece! Não viste nada, não se passou nada! Está tudo bem comigo e com o Ricardo! Eu só quero ir para casa preparar as malas para ir para o aeroporto amanhã pode ser? – ao mesmo tempo que carregava cada vez mais no acelerador

- Obviamente não estás bem! Eu não quero morrer hoje miúda. Baixa imediatamente a velocidade ouviste e eu não estou a brincar! – ao ouvi-la percebi que já começava a exagerar por isso reduzi um pouco porque não queria pôr a minha vida, nem a dela e muito menos a das restantes pessoas em risco. – Nunca falaste assim comigo! A sério, podes falar comigo! – aquela conversa já me começava a enervar – Daniela…

- Já fiz o que me pediste, reduzi a velocidade agora fazes-me o favor de estar calada durante dois segundos, achas que és capaz?

- Fogo miúda! Que mau humor! Fica lá com a tua paranóia qualquer que eu fico na minha. Pelo menos não fiz figura tristes…

- Estás a ir a pé não tarda nada se não te calas com essa conversa de uma vez por todas!

- Eu acho que prefiro ir a pé do que estar a aturar-te! – desta vez fiz de conta que não tinha ouvido nada porque também não a queria deixa ir a pé para casa pois ainda era um bom bocado. Ela acabou por não dizer mais nada e entretinha-se a ver as fotografias.

***
(aeroporto)

- Desculpa o que te fiz ontem…sei que fui um bocado parva! Não devia ter falado contigo daquela maneira!

- Ainda bem que reconheces isso, nunca te tinha visto daquela maneira. Já percebi que o que aconteceu foi grave e não me queres contar. Eu entendo…

- Obrigada…prometo que depois conto-te tudo ok?

- Fico á espera! Vá, agora tens que ir…faz boa viagem!

- Sim!

***
(aeroporto de Lisboa)

Depois de ir buscar as malas fui para a sala de espera para esperar pela Joana que devia estar para aparecer. Mandei mensagem á minha priminha para dizer que já tinha chegado e que tudo tinha corrido bem. Poucos segundos depois a Joana telefona-me

- Onde estás porca? – perguntei de imediato

- Olá para ti também! Pois aonde estou…estou dentro do meu carro, com o ar condicionada ligado, com o motor desligado, com imensas pessoas zangadas á minha volta, com ambulâncias a passarem a toda a velocidade. Ou seja, acidente!

- Isso significa que…

- Que vais ficar aí mais um bom parzinho de horas!

- Estás a gozar comigo?

- Não! Juro que não! Acho que o acidente foi mesmo grave e por isso ainda foi ficar aqui retida um bom bocado.

- Ok…vou ficar aqui a desesperar!

- Desculpa amor!

- Não faz mal! Não tens culpa de nada! Até já!

- Ate já!

Como tinha dormido muito pouco na noite anterior por causa do que se tinha passado no treino, deixei-me dormir nos bancos da sala de espera.

***

- Daniela! Daniela! – ouvi chamarem por mim. Abri um olho e dei de caras logo com a Joana a poucos centímetros de mim assustando-me.

- Fogo! Estás parva? Não queres ficar mais perto?

- Desculpa…então como foi a viagem?

- Como é que querias que fosse? Calma como sempre, o pior de tudo foi a espera aqui como podes imaginar…

- Mas a culpa não foi minha e tu sabes isso muito bem! – levantei-me do banco ainda um pouco ensonada e peguei nas minhas malas – deixa…eu ajudo-te! Levo a rosa! – ao mesmo tempo que pegava na minha mala rosa. No meio daquilo tudo, começo a ouvir um chinfrim vindo de fora da sala – O que será? – Saímos para fora e estava o plantel do Benfica a acabar de chegar da Suíça. A Joana começou logo aos pulinhos toda feliz e a dizer que queria uma fotografia com o Ruben Amorim! – Vamos vamos!

- Mas porque é que vocês todas querem fotos com ele? Porquê? – disse resignada mas ao mesmo tempo com a esperança que não encontrasse o David naquela multidão. Assim que a Joana avistou o Ruben disse-me logo e de seguida deu-me a máquina dela para a minha mão para poder registar o momento. Foi uma coisa rápida! Felizmente! Não olhei mais para os restantes jogadores e obriguei a Joana a sair dali o mais rapidamente possível.

(Joana)

Mal tive tempo de saborear aquele momento com o meu jogador favorito por causa da Daniela. Contei os dias mentalmente e ela ainda não estava na altura critica do mês em que o seu humor era insuportável. Nem reclamei…ela parecia não estar para conversas por isso deixei-a estar assim antes que houvesse a terceira guerra mundial ali mesmo. Fomos em direcção ao parque de estacionamento mas, cabeça no ar como sou, já não sabia ao certo o sítio em que se encontrava o meu carro. Depois de algumas voltinhas á procura do carro, avistei ao longe o meu Mini Cooper bem ao longe. Pusemos a bagagem no carro mas quando estava para pôr o carro a funcionar ele não dava! Punha e tirava a chave na ignição, rodava e nada! Tentei ligar o carro e nada…tudo o que era electrónico não dava.

- Lá se foi a bateria! – disse enquanto tentava novamente

- O que estás a fazer? Se é a bateria não é por estares a tentar mil vezes que isso funciona. Telefona para a assistência ou então pedimos alguém que tenha os cabos para nos fazer uma ligação á bateria. – saí do carro e puxei o capot para cima. Um mundo completamente confuso para mim. – Onde é que está a bateria?

- Oh minha tonta! É isto aqui! – Apontava para uma caixa pequena. Ela começou a mexer numas coisas mas não parecia dar a lado nenhum – Acho melhor não mexer em nada antes que estrague alguma coisa. Fogo! Mas também não há por aqui ninguém…nenhuma alminha que nos possa ajudar! - Olhei em volta mas não encontrava ninguém.

- Ah! – soltei um berro – Porque é que isto tinha de me acontecer! Raio do carro! Devias de ir para a sucata!

- Joana! Coitado do carro…não digas uma coisa dessas! Ele tem vida…se continuares a dizer essas coisas ele vai fazer birra e nunca mais pega!

- Sinceramente! Só tu para me fazeres rir!

- Precisam de ajuda? – olhei para trás e vi que era o Ruben Amorim e o David Luiz. Olhei para a Daniela super feliz mas ela tinha uma cara de pânico – Daniela?


quinta-feira, 28 de julho de 2011

Capitulo I

Ouvia gritos histéricos à minha volta, raparigas completamente fora de si, apenas porque queriam um segundo de atenção por parte daqueles que estavam prestes a entrar em campo. Quando o fizeram, foi o delírio total. Momentaneamente não sabia aonde estava, parecia que tinha sido transportada para um recinto fechado em que o som não pudesse sair.

- Eles estão a entrar Daniela!! – gritou a minha prima entusiasticamente – ai, nem acredito que eles vieram até a este fim do mundo. Finalmente aconteceu neta terrinha alguma coisa interessante.

- Vês, eu disse-te que não estavas num sitio assim tão mau – enquanto os jogadores do Benfica alinhavam em frente às bancadas e fizeram uma vénia. Era o último treino e dia na Suíça. 

- Não me venhas com essa! Quem me dera voltar para Portugal! Mas pronto! Tenho que me resignar aqui certo?

- Não tens outro remédio Filipa! Sinceramente pensei que já te tivesses habituado a isto mas pelos vistos não me parece! – Os meus tios tinham imigrado para a Suíça á cerca de três anos mas a Filipa nunca aceitou muito bem essa mudança repentina

- Nem me vou habituar. Isto aqui é a pasmaceira total! Estou farta disto, quero de volta os meus amigos! – ela olhou para mim na esperança que lhe desse uma ideia de voltar para Portugal mas não tinha nenhuma – Pronto! Já me calei com isto! Vamos ver o treino?

- Sim…mas senta-te primeiro antes que alguém o faça antes de ti!

O treino decorreu normalmente e com imenso apoio por parte de todos os benfiquistas que estavam na Suíça. Para a minha prima, o tempo passou a voar e quando acabou nem queria acreditar.

- O quê? Já? – ela levantou-se muito rapidamente do banco e correu para as grades á procura de um espacinho para os jogadores poderem assinar a camisola dela. Fui ter com ela e coloquei-me atrás dela á espera que todos aqueles jogadores passassem e deixassem uma pequena marca naquela camisola. Observei-os a todos, alguns com a pressa que tinham, poucos segundos demoravam em cada pessoa, em contraste com outros que faziam questão de dar dois dedos de conversa com os adeptos. Como aquilo estava demorado sentei-me num banco e mesmo assim conseguia ver os jogadores através das grades. Olhei para o meu relógio, e quando voltei a olhar em direcção á Filipa fiquei cravada em algo, num sorriso. Um reboliço enorme envolveu-me o corpo deixando-o quase inerte. Tentei levantar-me mas parecia que tinha sido atropelada por um camião. O meu coração parecia que tinha parado, os batimentos eram escassos mas muito fortes ao mesmo tempo, como se fizessem eco na minha cabeça. Baixei a cabeça ao mesmo tempo que o meu telemóvel começou a vibrar no meu bolso.

- Sim? – disse de imediato ao atender a chamada sem reparar no nome que aparecia no visor

- Amor? Estás bem? – sem mais nem menos deixei de ouvir os batimentos escassos do meu coração na minha cabeça, tudo tinha voltado à normalidade

- Claro que não! Estou longe de ti! Tu é que deves estar todo feliz da vida sem mim…agora é que andas bem!

- Olha-me agora esta com ciúmes! Até parece que tens muitos motivos de queixa de mim! Eu só tenho olhos para ti…mas também como diz o outro, lá por estar de dieta não quer dizer que não espreite a ementa!

- Que espertinho! Agora a sério…estou cheia de saudades tuas! Ainda bem que já me vou embora amanhã para poder estar contigo!

- Humm…gosto disso! Olha, não te esqueças que estou a trabalhar por isso não te posso ir buscar ao aeroporto, quem o fará é a Joana! Está bem?

- Por mim está muito mal porque queria estar contigo! Mas como tem que ser…deixa lá…quem já aguentou duas semanas também aguenta mais umas horinhas.

- Oh amor, não te quero ver triste! Eu juro que tentei fazer de tudo para persuadir o meu chefe mas ele deve ter acordado com os pés de fora e não me deixa sair daqui da loja.  – ouvi alguém a gritar o nome dele e presumi que fosse o chefe dele – lá está ele de novo!

- Vai lá…não te quero prejudicar! Amo-te muito ouviste?

- Nunca me canso de ouvir isso! Eu também meu amor, também te amo muito!

- Até amanhã!

Desliguei a chamada e já tinha a minha prima nas nuvens com a camisola já toda autografada por todos os jogadores do Benfica.

- Ai Daniela, isto foi sem dúvida o meu maior sonho! Adorei! Olha e também tirei imensas fotos! Vê! – ela passou-me a máquina para as mãos super contente, parecia uma menina de seis anos no seu dia de aniversário. Observei todas as fotos até que tudo á minha volta parou quando voltei a ver aquele sorriso. Os batimentos voltaram a ficar escassos mas muito fortes, pareciam querer sair do meu corpo. Quando reparei bem quem era nem queria acreditar. “Oh meu Deus, é o David Luiz!” Dei de imediato a máquina para as mãos da minha prima e levantei-me

- Vamos embora!

- Mas Danie…

- Mas nada…por favor Filipa! Vamos embora daqui ok?

- Está bem…já estou a ir! – tentei sair daquelas bancadas o mais rapidamente possível mas a enorme enchente de adeptos também o queria fazer. Os minutos iam correndo e eu ainda continuava sem sair do mesmo sítio. A Filipa lá consegui um buraquinho para passarmos, passando por cima de umas grades, e lá saímos, finalmente. Fui em direcção ao carro mas um grito histérico da minha prima fez-me voltar para trás. – Está ali o Ruben Amorim e o David Luiz! Quero tirar uma foto com eles! – quando ouvi aquele nome de novo, todo o meu corpo começou a tremer, não violentamente, mas sim suave que percorria todo o meu corpo deixando-me exausta – Por favor Danie! – não consegui dizer nada. Ela puxou-me na direcção deles e deu-me a máquina para as mãos. Vi-a a chegar-se ao pé deles e a falar com eles, depois ela sorriu para mim como sinal de que podia tirar a fotografia. Já nem sabia aonde estava, todo o meu corpo tremia, tentava agarrar aquela máquina mas não conseguia mantê-la direita. Nem sequer sabia aonde era o botão para carregar – Danie, é o botão azul! Aquele que serve para tirar a foto sabes? – Concentrei-me uma última vez e lá consegui a maldita foto. Virei de imediato as costas e entrei no carro. “ O que se passa comigo? Estou a ficar maluca só pode!” falei para comigo

- O que foi aquilo ali Danie? Parecia que estavas a ter um ataque de pânico? O David até me perguntou se tu precisavas de ajuda e tudo!

- Não foi nada! Esquece! Vamos para casa!


quarta-feira, 27 de julho de 2011

Prefácio

Aprendi que chorar não resolve, falar pouco é uma virtude, colocar-me em primeiro lugar não é egoísmo, e o que não mata com certeza fortalece. Às vezes mudar é preciso, por muito que custe, nem tudo vai ser como queremos, a vida continua. Para qualquer escolha que façamos, segue-se a consequência por mais dura ou incrível que seja, vontades momentâneas não valem a pena, quem faz uma vez não faz duas necessariamente, mas quem faz dez, com certeza faz onze.

Perdoar é nobre, esquecer é quase impossível (ou impossível). O mundo está cheio de pessoas que não querem saber de nós mas, existe, um grupo muito restrito que sabe da nossa existência e luta por nós. Quem merece não faz chorar, quem gosta cuida, o que está no passado tem motivos para não fazer parte do presente, não é preciso perder para aprender a dar valor.

Aos poucos percebe-mos o que vale a pena, o que se deve guardar para o resto da vida, e o que nunca deveria ter entrado nela. Não há forma de esconder a verdade, nem de enterrar o passado. O tempo sempre será o melhor remédio, mas os resultados nem sempre são imediatos. O melhor de tudo é que nunca se sabe quem se está a apaixonar pelo nosso sorriso.

Personagens


Daniela Martins – Tem dezanove anos e anda no 2º ano de biologia. Tem os cabelos compridos e encaracolados de cor castanho e é morena. As suas raízes vêm de Viana do Castelo aonde se encontram os seus pais. Aprendeu a gostar de Lisboa.

Ricardo Pereira – Tem vinte anos e é o namorado da Filipa. Também é o seu melhor amigo, confidente, confia mais nele do que nela própria.

Joana Ferreira – Tem vinte anos e anda no 2º ano de biologia. Conheceu-a no primeiro dia do curso e partilham casa.

David Luiz