domingo, 21 de agosto de 2011

Informação

Queridas leitoras,

Desde já quero agradecer a todos os que comentam pois são um excelente incentivo para mim. Queria também pedir desculpa pela demora sem noticias mas surgiu um problema pessoal que me deixou sem qualquer tempo para escrever nem sequer para pensar em algo. E também não irei postar mais até dia 7 de Setembro pois irei de férias e não irei levar o computador.

Queria também divulgar o blog de uma amiga minha: http://porquesimplesmenteprecisodeti.blogspot.com/ . Não é uma fanfic mas é algo do género!

Obrigada

sábado, 13 de agosto de 2011

Capitulo VI - Preciso da tua compreensão (Parte 1)



Entrei dentro de casa com a nítida sensação que alguma coisa não iria correr bem. Mal fechei a porta a Joana veio a correr desde a cozinha até à entrada de casa bastante ofegante.

- O que se passa Joana? – tentei acalma-la – Tem calma…

- Nem vais acreditar em quem apareceu aqui hoje mesmo pouco tempo depois de teres saído de casa! – não conseguia lembrar-me de ninguém mas um aperto no coração formou-se de imediato

- Se não me disseres eu não vou saber!

- Foi um dos teus antigos seguranças, aquele mais forte, o louro sabes?

A imagem dele, do Sr. João, apareceu de imediato na minha mente. Lembrava-me perfeitamente dele, era um senhor já com os seus cinquenta e muitos anos e que me acompanhou sempre. Desde que tenho memória, aquele cabelo louro dele está gravado na minha mente como algo bom. Ele por vezes fechava os olhos e deixava-me brincar sem tantas regras.

– Ele veio a mando do teu pai, Daniela! – o medo afogou a minha mente de tal maneira que mal queria saber o que me queria.

- A mando do meu pai? O que ele queria? – perguntei a custo mas se vinha como intermediário do meu pai nunca iria dizer à Joana seja o que for

- Tentei perguntar-lhe mas ele não me disse. Ainda me lembro perfeitamente do que ele disse “A mensagem que trago é para ser entregue á menina Daniela e apenas a ela. Quando ela chegar transmita-lhe que eu estive aqui e para me contactar”

Mil e uma coisas voaram na mente, mas nada se formava. O receio de ser mais uma ordem idiota do meu pai era cada vez mais forte. Da última vez que tivera com ele jurou que as coisas não iriam ficar como estavam. O Ricardo podia ser a vítima do meu pai e isso, sabia muito bem, era o meu ponto fraco.

- Ok. Vou-lhe ligar para saber o que ele quer antes que aconteça uma desgraça – pousei a minha roupa no sofá da sala e tirei o telemóvel da minha mala. Procurei o nome do Sr. Alves e assim que o encontrei pus logo a chamar. Depois de alguns bips ele atendeu – Sr. João? É a Daniela…

- Bom dia menina Daniela! – já tinha saudades daquela voz rouca que ele tinha e que impunha respeito mas ao mesmo tempo suavizava o ambiente – Eu sei muito bem que é a menina, a sua voz continua linda como sempre!

- E o senhor João continua a mimar-me como sempre!

- Eu só quero que a menina Daniela esteja feliz e que saiba que gosto muito de si mesmo estando longe! – uma lágrima escorreu-me pelo rosto, inconscientemente sabia que ele me estava a preparar para algo nada bom para o meu lado e o principal responsável seria o meu pai.

- Pronto, já sei que não vem grande coisa…diga lá o que o meu pai quer que eu faça! Eu aguento tudo…

- Menina peço desculpa mas não o posso dizer por telefone, preciso de me encontrar consigo. – O medo apoderou-se do meu corpo, já não estava a aguentar toda a pressão do meu pai por muito que me fizesse de forte frente ao mundo inteiro – Desculpe…eu não lhe queria trazer más noticias mas sabe como é o seu pai! Ele iria mandar outra pessoa no meu lugar mas eu não deixei, prefiro ser eu a contar à menina e cuidar depois de si.

- Ai Sr. João…onde nos podemos encontrar? Em minha casa?

- Pode ser sim! A menina já chegou a casa?

- Já cheguei sim! Pode vir!

- Ok menina Daniela. Dentro de cinco minutos estou em sua casa!

- Até já!

- Até já menina! – desliguei a chamada e a cara de preocupação da Joana era bem visível. Ela já sabia que aquela conversa não iria correr bem. Ela sentou-se ao meu lado e abraçou-me

- Vais ver que não vai ser assim tão mau como pensas Daniee! Não vai acontecer nada… - as palavras dela não me conseguiam consolar, sabia que a noticia que trouxera o Sr. João a Lisboa era muito grave. Mais grave do que qualquer outra que ele tenha proferido

- Claro que não Joana…claro que não! Se veio o Sr. João na vez de outro segurança é porque é grave! Eu conheço-o, ele nunca me vai deixar sossegada com o Ricardo! Nunca! – levantei-me exaltada com tamanha injustiça que estava prestes a viver – Diz-me Joana, porquê que tive que nascer naquela família? Porquê?

- Não escolhemos a nossa família e tu sabes disso! Temos que aprender a conviver com ela… - aquelas palavras irritavam-me, cada vez mais desejava desaparecer do radar do meu pai – Ele é o teu pai e sempre será! Por mais bom ou mau que ele seja, ele nunca deixará de ser teu pai!

- E tu estás do lado de quem? Do meu pai?

- Deixa de ser tola Daniela! É claro que estou do teu lado como sempre estive. Mas não é por ser tua amiga que vou concordar sempre contigo e dizer que estás a agir correctamente quando não estás! – aquela conversa da treta já me começava a irritar

- Então o que estás a tentar dizer é que estou a agir mal? É isso? – só de pensar que ela podia estar a pensar nisso mesmo deixa-me á beira da raiva

- Tu não estás a compreender o que estou a dizer!

- Então explica-te porque eu não estou a perceber! – a minha voz já tinha alteado enquanto que a da Joana continuava serena

- Eu só quero que não compres uma guerra com o teu pai a qual sabes que vais perder! O teu ponto fraco será sempre o Ricardo ou outro namorado qualquer que não seja da confiança do teu pai. Dá umas tréguas ao teu pai…fala com o Ricardo.

- Tréguas? Tréguas? – eu passarinhava, pelo pouco espaço que havia na sala, de um lado para o outro tentando manter a calma. – Esquece Joana! No dia em que der tréguas ao meu pai é porque me vendi às condições absurdas dele! Nesse dia, se alguma vez chegar, morri!

- Deixa de ser tão melodramática, bolas! Custa assim tanto conviveres com ele durante 24 horas? Fazeres um esforço por ti e pelo Ricardo? Não é disso que se trata? Da tua relação com o Ricardo? Então faz um esforço por ele…se não fazes por ti então faz pelo amor que ainda sentes pelo Ricardo!

Já não aguentava tanta pressão. Eram demasiadas condições, demasiados obstáculos. Não queria, de modo nenhum, deixar de ser quem era, do que me fizera sair daquela terra. Tudo o que lutei durante anos não podia desaparecer…estava a lutar pela minha liberdade, toda essa luta não podia ter sido em vão para agora pedir tréguas.

- Vamos comer! Estava conversa não nos vai levar a lado nenhum enquanto não soubermos o que o teu segurança tem para te dizer! – ela levantou-se do sofá e foi para a cozinha. Ouvi alguns barulhos de pratos e talhares e muito rapidamente ela voltou à sala – então? O almoço já está na mesa!

(…)

Ouvi a campainha a tocar quando colocava a ultima grafada do bacalhau com natas que estava no meu prato. Levantei-me instintivamente e dirigi-me para a porta de entrada. Olhei para o binóculo e a silhueta que aparecia do outro lado era-me demasiado familiar, conhecia-o em qualquer lugar do mundo. Abri a porta, a tremer, olhei para a sua face e continuava a mesma de sempre, serena. Quando me viu deixou fugir um pequeno sorriso genuíno, o que me fez abraça-lo com todas as minhas forças.

- Menina Daniela não devia fazer isto… - formou-se um sorriso na minha boca mas não foi contemplado pois tinha a minha cabeça enterrada no ombro esquerdo dele. Ele continuava o mesmo de sempre. – menina... Sabe que os seguranças não podem ter este tipo de proximidades com os seus protegidos! – desaproximei-me dele e encarei-o olhos nos olhos

- Como se o senhor se importasse com isso ou já não se lembra dos beijos de boa noite que me dava todas as noites para eu não ter pesadelos! – aquela pequena recordação fez-me voar para uma infância onde aqueles pequenos momentos me faziam sentir uma criança feliz

- Eu menina? Nunca fizera tal coisa, longe de mim sequer pensar nisso! – o sorriso dele mostrava o quanto estava feliz por me ver e o quanto ele se arriscava só para me fazer desligar no pesadelo em que estava inserida

- Não vamos ficar aqui à porta, entre! – afastei-me um pouco para o lado e dei espaço para ele poder entrar, quando o seu corpo passou na minha frente fechei a porta. – Bem vindo ao meu humilde apartamento e á minha companheira de casa e respectiva melhor amiga, Joana! – a Joana já se encontrava ao meu lado depois de ter vindo da cozinha.

- Muito prazer menina Joana! Já nos tínhamos conhecido na minha anterior vinda a sua casa a qual a menina Daniela não estava, ainda hoje de manhã!

- Exactamente! – a expressão da Joana era muito engraçada pelo facto de ter sido chamada como “menina Joana” – Se não se importa, gostaria que me chamasse só de Joana!

- Vou tentar, Joana! – sorriu o meu segurança. Ele olhou para toda a minha casa e sorriu – Tem uma casa mesmo a seu jeito menina! Pintada toda com cores vivas e alegres, é mesmo a sua cara! Fico muito feliz por isso…

- Obrigada…tentei fazer com que me sentisse o mais possível com aquilo que gostaria de chamar “casa”! Mas também tem o seu toque de Joana… - peguei no braço do Sr. João e encaminhei-o até ao sofá da sala aonde se sentou – Pronto! Estou preparada…pode deixar cair a bomba! – ele retirou do bolso do casaco preto que tinha vestido, um CD com a respectiva capa. Fiquei perplexa com tamanha surpresa…

- Menina, tem um DVD? O recado que tenho para si está neste CD… - apontei, ainda perplexa, para o DVD debaixo da televisão. Olhei para a Joana e estava também surpreendida com tal coisa. O Sr. João levantou-se e colocou o CD na caixa do DVD, poucos segundos depois apareceu no ecrã da televisão a imagem do meu pai sentada na sua cadeira do escritório.

- “Daniela, preferia ser eu a fazer este comunicado pessoalmente mas um contratempo negocial impediu-me de ir a Lisboa nesta altura e assim tive que mandar o Alves na minha vez. Deves estar a perguntar qual assunto tão urgente me levaria até aí e eu respondo de imediato. Como deves estar lembrada a tua prima, Débora, vai-se casar daqui a duas semanas, e ela veio-me pedir expressamente para estar toda a família presente já que ela vai-se casar com o filho mais velho dos Gouveia. Por isso, pensei, que a Daniela pudesse fazer um esforço e vir ao casamento com o Miguel Gouveia. Já que se trata de um casamento com o propósito de unir as duas famílias seria uma enorme falta de educação que a Daniela não estivesse presença. E já sabe como a imprensa é no que toca a jovens solteiras em casamento…por isso, como não pode ir com o seu namoradinho Lisboeta, terá que vir com o Miguel Gouveia! E como pode imaginar, não há como negociar…quero-te aqui, em Viana, na sexta-feira com o Miguel. Este pequeno pedido é pela tua prima por isso vê lá se não estragas um dia tão importante para ela. Adeus!

Ouvi atenciosamente todo aquele comunicado sem alguma vez pestanejar ou sequer mudar a minha atenção para outro lugar. Quando deixei de ouvir o meu pai as lágrimas, a raiva, o desespero vieram à face da pele. Senti uns braços a rodearem o meu corpo inerte, era como se tivesse abandonado o meu corpo mas a dor continuava lá. Só me apetecia acabar com aquela dor, acabar com o meu passado, acabar com as minhas origens. Observei, com a vista turva, o Sr. Alves a levantar-se e a ir até ao DVD e a desligar aquela imagem aterradora. Ele tirou o CD e depois partiu-o ao meio e colocou-o no bolso do casaco.

- Desculpe menina Daniela por trazer noticias que são muito perturbadoras mas eu não podia fazer mais nada para faze-lo mudar de ideias. Sabe como é o seu pai… - “como é o meu pai?! Como é que eu posso chamar a isto PAI? Um PAI devia ser uma pessoa que nos apoia incondicionalmente, que está lá sempre que precisamos, que nos dá na cabeça quando erramos mas também sara as nossas feridas. O meu pai nunca fizera tal coisa comigo…era sempre os negócios em primeiro lugar e o bom nome da família! Mas que raio de pai é este que me põe em sofrimento…odeio-o cada vez mais! - …é de ideias fixas no que toca a si! O seu irmão…

- Eu sei! O meu irmão é o filhinho perfeito para o meu pai! Vai seguir as honras da família e eu é que sou a ovelha negra. Aquela que não quer saber do quão é importante o património…eu sei! Nunca devia ter nascido…

- Menina nunca diga tal coisa…eu tenho a certeza que o seu pai gosta muito de si…ele só quer o melhor para si mas fá-lo de maneira menos própria.

- E o que quer que faça? Que o desculpe assim de um momento para o outro só porque me diz que ele poderá gostar de mim? Por favor, quero que ele vá morrer longe! – a última frase disse sem pensar, saiu-me tão rapidamente da boca que nem dei conta da gravidade da afirmação – Desculpe…não era isto que eu quero que aconteça…acho que… - levantei-me do sofá e dirigi-me para a saída de casa mas fui travada por uma voz

- Daniee… - olhei para a Joana e ela já se encontrava atrás de mim. Deu-me a mão e sussurrou – não será esta a altura perfeita para terminares com o Ricardo já que não sentes o que sentias por ele

- Nem pensar! – respondi de imediato embora o meu coração tivesse vacilado

- Pensa bem…

- Não há nada para pensar! Não vou deixar o Ricardo por um devaneio da minha mente…agora preciso de ir dar uma volta! Preciso de arejar antes de dar a notícia ao Ricardo!

(Ruben)

O David tinha-me dito que primeiro iria passar no estádio e só depois é que vinha ter comigo. Até aí tudo bem, o problema é que ele nunca mais chegava a minha casa. Já passava da hora marcada e nada de David! Depois de algum desespero lá ouvi a campainha e mandei-o subir!

- Estava a ver que não! Que tal telefonares a dizer que vou demorar… - disparei quando abri a porta para ele entrar – Não deve custar assim tanto mandar uma mensagem pois não? – estava mesmo chateado com a demora dele e principalmente com a falta de aviso

- Não mas tive um imprevisto!

- Que imprevisto foi esse que te demorou este tempo todo? Tem alguma coisa a ver com aquilo que foste tratar ao estádio?

- Não…

- Bem mas tu vais-me dizer ou queres que te peça por favor para desembuchares? – ele estava com uma cara estranha e isso estava-me a preocupar

- Bem…foi a Daniela…

- Espera aí…Daniela? A Daniela do Ricardo?

- Desculpe…eu queria me ter afastado mas encontrei ela lá no estádio encharcada e não a consegui deixá sozinha…

- Mas tu endoideceste foi? Ela é a namorada do Ricardo…isso não te diz nada? Tu tinhas-me prometido que irias afastar-te dela e depois no dia seguinte ficas a fazer-lhe companhia!

- Eu sei mas…é mais forte do que eu. Não consegui me afastar… - desde que a viu na Suíça que ele não deixava de pensar nela…parecia que estava obcecado. Mas quando descobriu que ela era namorada do Ricardo foi como se o mundo lhe tivesse desabado – Eu sei que tou errando mas…ela é mais forte do que qualquer coisa!

- Ela é comprometida David! Não está disponível por isso vê se fazes um esforço e afasta-te, é o melhor!

- É isso que vou faze’! – aquelas palavras saíram da boca dele sem determinação nenhuma e isso assustava-me!

(…)

- Que transito! Assim nunca mais chegamos a tua casa – disse resmungando com o tempo perdido naquelas filas intermináveis pouco antes de chegar a casa do David

- Deixa de ser assim! É só uma fila de nada! Tamos em minha casa num instante! – suspirei de desespero. Passados uns cinco minutos estávamos já na estrada que dá acesso á casa dele mas ele parou de repente no meio da estrada!

- O que se passou?

- Olha ali…é a Daniela! – olhei em frente e estava a Daniela sentada num banco com um péssimo ar – nem penses em… - antes de puder acabar a frase já ele tinha saído do carro - …ir ter com ela! – acabei a frase


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Capitulo V - Uma boa conversa (Parte 2)



Entrei dentro do carro e lembrei-me logo do meu pai, da minha família. Todos aqueles bons carros que estavam estacionados todos os dias à porta da minha casa em Viana só me faziam sofrer e desejar ter outra vida. Rapidamente já estávamos a caminho…

- ‘Cê tem problemas com seu pai? – aquela pergunta fez-me desejar que o Ricardo tivesse estado calado a minutos a trás – só conta se quisé!

- Não tem problema, eu conto. Também não é nenhum segredo por isso… - fiz uma pausa, respirei fundo e comecei – Muito basicamente eu tive uma infância em que pude ter tudo e mais alguma coisa, nasci numa família bastante rica! Bem, não se pode dizer que a minha família seja multimilionária mas também não se pode dizer que seja pobre. É uma daquelas famílias influentes numa certa cidade. Lembro-me de ser criada no meio de empregadas e mordomos, era uma autêntica seca, não me deixavam fazer nada! Para onde fosse tinha que ir com um segurança…podia ser raptada ou algo do género. O meu pai vivi obcecado em não me perder. Vivia numa verdadeira prisão só que não tinha grades!

- ‘Cê era infeliz?

- Com a minha família não…mas com o mundo que me rodeava sim! Tu deves compreender já que és também uma figura publica… Por exemplo, como qualquer jovem, eu também gostava de sair á noite, estar com os meus amigos, namorar, coisas normais de adolescentes! O problema era o que a imprensa escrevia sobre mim…eu, basicamente, era a menina “rebelde” da grande família Morais Martins! E o meu pai normalmente, acreditava mais depressa na imprensa do que em mim… Só me apetecia, por vezes, acabar com a raça daqueles paparazzis!

- Como eu compreendo você! Por vezes as revistas escrevem coisas que não são verdade…a mim também acontece o mesmo muitas vezes! Mas a gente não pode fazer nada…temos de conviver com eles…

- Mas isso é que me irrita solenemente! – eu já estava de meia de lado no banco e na direcção dele – eu queria tanto ter uma vida normal, sei lá, sem aquelas preocupações absurdas de não poder sair à rua com um cabelo fora de sitio senão já sou uma desleixada, ou não posso vestir certo tipo de roupas porque não são do meu nível!

- Foi por isso que ‘cê veio para Lisboa? Pr’a deixar de se sentir desse jeito?

- Eu só queria, unicamente, ser normal! E a única maneira de me ver livre daquela praga era sair de Viana do Castelo! Vim para Lisboa no intuito de não estar preocupada em dar satisfações da minha vida, de com quem saio ou da roupa que visto! Queria ser livre…

- Por aquilo que o Ricardo estava falando isso não aconteceu….eles continuaram perseguindo você?

- Sim…infelizmente! Não de forma tão permanente, tão obsessiva mas mesmo assim forte ao ponto de fazer estragos com a minha família!

- Que aconteceu?

- O meu pai teve a infeliz ideia de me querer arranjar um noivo sabes? Quer-me arranjar um marido em condições, de boas famílias e com todos os apetrechos de famílias ricas, um bom carro, uma boa casa, entre outras coisas!

- E o Ricardo soube?

- Obviamente! Quando o meu pai disse tal coisa nem queria acreditar. Disse que tinha namorado mas ele nem ligou! Fui um fim-de-semana de propósito a Viana apresentar o Ricardo aos meus pais e ele “chumbou” no teste! Nesse momento houve uma ruptura com a minha família…ainda queriam deixar de pagar a minha faculdade mas como teria de ir trabalhar decidiram continuar a “sustentar-me”!

- ‘Cê chegou a conhecer esse tal suposto noivo?

- Se cheguei…ele veio a Lisboa e ainda continua a vir, pelo menos duas vezes por semana tenho um encontro com essa personagem! Chama-se Miguel Gouveia e estuda Direito no Porto, conheci-o a uns meses atrás.

- Me deixe adivinhá…é um daqueles que se tem a mania que é bom e que tem o mundo aos seus pés…

- Por acaso não…ele até é simpático! Mas o facto de ele vir “encomendado” nem sequer deu tempo para ter mais do que um par de frases de cada vez que aparece! Ainda tive um tempo chateado com o Ricardo por isso mesmo, apareceu logo uma revista comigo e com o Miguel e o Ricardo pensou que eu tivesse aceite a proposta do meu pai!

- Também não deve ser fácil pró Ricardo…eu compreendo um pouco ele. Acho que se fosse eu na situação dele não seria fácil viver contra a sua família, ainda por cima sabendo quanto vale o dinheiro!

- Eu sei que não é fácil para ele mas eu preciso de alguém que me compreenda! Se eu estou com o Ricardo é porque tenho uma ligação muito forte com ele…eu não o quero perder por nada deste mundo e muito menos por causa da minha família! Ele está comigo e não com a minha família…

- Mas a família é algo importante pra todo mundo principalmente pra quem está longe dela...eu falo por mim, se eu tivesse na situação dele não conseguia suportar a ideia de ver alguém de quem gosto contra a família por minha causa. Preferia me afastar dessa pessoa e sofrer do que quebrar uma família.

- Então achas que devia ficar com o Miguel? Abandonar tudo em que acredito por causa de uma ideia absurda do meu pai?

- Eu não ‘tou dizendo pra fazer isso desse jeito. O que estou dizendo é que o melhó é conversar com seu pai e esclarecer as coisas entre vocês…falar, por vezes, é o melhó remédio!

- Falar, falar! É muito fácil, o pior é que ele não muda de ideias…ele quer-me ver casada com o Miguel e infeliz do que com o Ricardo e feliz – pela primeira vez disse na mesma frase o nome do Ricardo associado a um casamento. Só a ideia de casar com ele causou-me algum mau estar…definitivamente os meus sentimentos estavam a mudar mas mesmo assim continuava convicta de não o querer perder!

- ‘Cê não acha que está exagerando? Qualquer pai quer que os filhos sejam felizes e não o contrário…

- David, tu não conheces o meu pai! A minha mãe ainda poderia aceitar a ideia de me ver casada com outro agora o meu pai…só de pensar que iria entrar na família alguém sem um nome de “peso” entra logo em curto-circuito! Ele quer acima de tudo preservar o seu “núcleo” e só deixar entrar nele quem quer! Olha tu por exemplo…suponhamos que por acaso sou ligada a ti numa revista qualquer, é o escândalo total…jogadores de futebol estão completamente riscados na lista do meu pai. Ele prefere um pobre do que um jogador de futebol…

- Então é melhó a gente não se ver muitas vezes…não quero arranjar problemas pró seu lado…

- Achas? Nem penses…quero lá saber se ele tem um ataque cardíaco, se explode com a casa…estou-me nas tintas para isso! Como te disse, vim para aqui viver a minha vida e não para ficar fechada numa cela!

- ‘Cê não tem irmãos?

- Tenho…um irmão! Tem dezoito anos…vai agora entrar na faculdade. Convenci-o a inscrever-se em faculdades em Lisboa para o tirar de lá. O meu pai ainda não sabe mas quando souber, vai ser mais um problema para os meus lados! Estou mesmo a ver o discurso dele “Tu só sabes dar maus exemplos ao teu irmão, ele não tem que ser um desgosto para a família como tu foste! Ele vai ser o futuro responsável pelas propriedades da família, ele tem deveres a cumprir!”.

- ‘Cê também não facilita em nada a sua relação com seu pai…

- Eu facilitava se ele o fizesse comigo mas como isso está longe de acontecer…temos pena! Não quero que o meu irmão acabe fechado naquela terra só porque o meu pai o diz!

- E o património da sua família não é importante pra você? Sei lá, o que ‘cê tá fazendo é desfazendo o trabalho de anos do seu pai por causa de uma birra sua…

- Não é birra! Eu só não suporto o facto do meu pai querer controlar a minha vida, principalmente querendo arranjar-me um namorado. – já estava a ver a saída para a minha casa – olha tens que virar aí á esquerda! É esse prédio amarelo…

- ‘Cê gosta mesmo de provocar seu pai!

- Acredita que não consegui arranjar casa com pior aspecto! Devias ter visto a cara do meu pai quando viu a casa…quase que morria! Mas está descansado que não é assim por dentro…

- Ainda bem! Bem está entregue a casa… - abri a porta do carro e saí

- Olha depois tenho que te dar a tua roupa…aonde é que te posso encontrar?

- No Seixal…mas se quisé pode deixar no Ricardo e depois vou lá buscá…não precisa de ir lá de propósito me dar isso…

- Ok…depois falo com o Ricardo! Adeus!

- Adeus! – fechei a porta do um lado e vi o carro desaparecer na curva mais á frente. 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Capitulo V - Uma boa conversa (Parte 1)



(…)

Acordei cheia de vontade de ir ter com o Ricardo, precisava muito mesmo de passar algum tempo com ele para ver se tudo se esclarecia na minha mente. Vesti-me rapidamente sem fazer muito barulho para não acordar a Joana que se encontrava a dormir no quarto ao lado. Peguei numa caneta e num papel e deixei um recado no frigorífico para quando ela acordasse soubesse aonde me encontrava.

Meu bem, fui ter com o Ricardo. Não sei quando volto! :P
Daniee
PS: Não levo o carro...vou de metro :D
PSS: Adoro-te!

Peguei numa maça e na minha mala e saí de casa. Como não me apetecia ir a conduzir porque apanharia bastante trânsito fui de metro até ao estádio da Luz, local aonde o Ricardo trabalhava. Rapidamente cheguei à estação, depois de dez minutinhos a sentir-me como se fosse sardinha enlatada, saí debaixo de terra e daquele sufoco e não é que estava a chover. Ainda nem estava acreditar na forma como o tempo mudou de um momento para o outro. Isto porque estava vestida à “verão” e com sandálias. Estava metida em maus lençóis, de certeza que me ia constipar. Saí rapidamente da estação e corri até ao outro lado da rua e entrei dentro do estádio toda encharcadinha. O problema é que me esbarrei contra um letreiro a dizer “Volto já!” na loja dele. Telefonei para ele a saber aonde é que se encontrava mas ninguém atendeu! “Boa! Vim aqui para nada, ainda por cima fiquei toda molhada! Vou ficar constipadíssima!”

- Oi!

- Ai! – disse inconscientemente quando alguém me tocara, sem estar á espera, no ombro esquerdo. Virei-me com a mesma rapidez de que falei e a última pessoa que queria encontrar ali naquele momento estava mesmo á minha frente – David…

- Desculpe! Não queria assustar você desse jeito…

- Não, desculpa eu! Não estava á espera de te encontrar aqui…quer dizer…isto é praticamente o teu local de trabalho…e…e…pronto! Estás a ver não estás? – eu não sabia o que dizer, estava tão atrapalhada quem nem falar conseguia!

- Perfeitamente! – ele sorria docemente fazendo-me ter pele de galinha com um arrepio enorme que me percorreu o corpo. Peguei na minha mala e comecei a vasculhar o seu interior com o pretexto de não olhar para ele.

- Sabes onde encontrar o Ricardo? É que ele não está na loja e tentei telefonar-lhe mas não me atende as chamadas!

- Eu passei há pouco por aqui e vi ele com o Sr. João a saírem para o armazém porque houve um problema qualquer com a entrega. E tiveram que fechar a loja!

- Oh! Que chatice! Eu vim aqui de propósito para estar com ele e depois acontece isto! – olhei para a minha roupa e tentei escorrer alguma água da mesma – Parece uma torneira!

- É melho’ ‘cê se mudar o quanto antes! Com isso molhado dessa maneira ‘cê se resfria rapidamente!

- Isso sei eu! Mas quando saí de casa estava um sol radiante, chego aqui e está este temporal! Não vim propriamente prevenida com galochas! – sorri, de certa forma não estava nervosa nem nada. Estava simplesmente calma! Olhei para o relógio e já estava na hora de voltar pois o Ricardo já não voltava tão cedo – bem, tenho que ir apanhar o metro para chegar rapidamente a casa tomar um bom banho quente!

- Não não! ‘Cê não vai sair novamente p’ra rua desse jeito! A gente aqui no clube, tem sempre roupa nos balneários, ‘cê vai lá, toma um banho e muda de roupa. Depois levo ‘cê a casa!

- Nem pensar! Não quero dar trabalho, além disso a estação do metro é já ali e já não fico mais molhada do que estou! A sério, não é preciso!

- Não aceito um não como resposta! O Ricardo já me ajudou muitas vezes por isso vou ajudar você também, e não há discussão!

- David, a sério… - antes que pudesse continuar apareceram duas crianças, deviam ter uns oito, nove anos, juntamente com dois adultos.

- David Luiz, David Luiz! Podes-nos dar um autógrafo! – pediu a criança loira super feliz e encantada da vida por ter encontrado o seu ídolo – para mim és o melhor jogador do mundo! – olhei para a expressão do David e ele estava enternecido com tamanha afirmação

- Para mim também! És o nosso ídolo! – disse a outra criança

- Vocês não acham que estão a exagerar? – tentei meter-me com eles para ver como reagiam – melhor jogador do mundo? Então o Cristiano Ronaldo e o Lionel Messi? – as crianças quase que me matavam com o olhar com a minha pergunta

- Ei ei! As crianças não mentem não! – disse logo o David com um sorriso irresistível

- Esses não prestam! Nem o Cristiano Ronaldo consegue passar pelo David Luiz! – disse novamente a criança loira – Tu é que não sabes nada de futebol! O David é o melhor!

- Sabes uma coisa? Eu também percebo muito de futebol! E queres que te diga um segredo? Aliás a vocês os dois? – as crianças juntaram-se a mim mas sempre desconfiados. Pus-me de joelhos á frente deles os dois e sussurrei-lhes – Isto que eu vou-vos dizer não é para sair daqui está bem? É um segredo só nosso! – elas abanaram afirmativamente – Eu também acho que o David é o melhor! Mas não quero que ele saiba!

- Porque não queres que ele saiba?

- Porque depois ele não se cala! Assim ele pensa que não gosto dele e assim é mais divertido! Está bem?

- Sim!

- Pronto! Vão lá pedir o autógrafo!

(…)

O David levou-me por uns corredores que nunca tinha andado na minha vida. Eram todos vermelhos com fotos de jogadores do Benfica, algumas antigas e outras mais recentes. Eu adorava futebol mas raramente ia aos estádios porque odiava a confusão, das únicas vezes que tinha ido assistir a jogos havia sempre confusões para os meus lados da bancada. Deixei-me encantar pelos magníficos corredores e nem dei conta de já estar em frente aos balneários. Entramos e ele foi buscar a roupa para eu me mudar.

- Aqui está a sua roupa! Acho que serve em você! – Quando me disse aquilo pensei em qualquer coisa, tipo tamanho M. Mas quando me mostrou as duas peças de roupa do equipamento de treino do Benfica até me assustei

- Tu achas que me serve?!? – disse escandalizada – Achas?!?! Eu não acredito que me estás a chamar gorda assim tão descaradamente! Por favor, isto deve ser um XXXXXXXXXXXXXXXXL!!   

- Não, não! Nada disso! Olhe, tem aqui isto que serve pra apertar mais! – ele mostrou-me um elástico que tinha os calções mas mesmo assim não estava convencida, dava para meter umas três ou quatro Daniela’s dentro daquele equipamento!

- Pronto! Deixa lá…depois vejo o que se arranja para me meter dentro disso! – peguei na roupa e fui tomar um banho rápido

(…)

A minha figurinha com aquela roupa era hilariante! Já não sabia se haveria de rir ou chorar da figura que via à frente do espelho, parecia que tinha saído de um gang! Saí dos balneários e tinha o David um pouco mais à frente à minha espera!

- Por favor, vamos pelo sitio que tiver menos gente pois estou com uma figurinha desgraçada! – disse-lhe de imediato, ele olhou para mim e começou-se a rir – pois pois! Goza aqui com a pobre rapariga! – sem dar por isso aparece de repente o Ricardo vindo de trás do David

- Realmente Daniela, estás numa linda figurinha! Nem quero saber o que diria o teu pai quando te visse! – a expressão do Ricardo mostrava o quão engraçava devia estar com roupas do tamanho XXXXXXXXL!

- Então já resolveste o problema que tiveste na loja? – perguntei – supostamente vim aqui para almoçar contigo mas parece-me que foi má ideia!

- Infelizmente não! Está uma confusão no armazém por isso não posso sair daqui! Desculpa amor! – ele abraçou-me e deu-me um beijo – prometo que depois compenso Daniela!

- Tenho outra solução? Não me parece…

- Já estive aqui a falar com o David e ele leva-te a casa porque não quero que ninguém te apanhe nessas figuras. Não quero que tenhas problemas com o teu pai se alguém te apanhe assim…

- Ricardo, já falamos sobre isso! Não tenho medo do meu pai nem do dinheiro dele nem do poder que ele tem. Estou-me nas tintas se apareço nas revistas nua ou vestida, molhada ou seca! É a minha vida! Ele não tem nada a ver com isso…

- Eu sei disso mas sabes como ele é…não vale a pena comprares uma guerra com ele se a podes evitar tendo menos comportamentos de risco!

- A falares dessa maneira até parece que sou uma criminosa pronta a atacar! Mas pronto…se eu vim para Lisboa foi para ter menos problemas por isso, desta vez e só desta, tens razão!

- Eu tenho sempre razão amor, tu é que não queres admitir! És teimosa e casmurra…

- Não sei se sabes mas estamos na companhia de mais uma pessoa…não quero que ele pense que seja verdade! Ouviste David, eu não sou teimosa, ele é que é!

- Tira agora as culpas para cima de mim! Vai-te lá embora antes que o meu chefe me mate! – ele deu-me um beijo de despedida – boa viagem, liga-me quando chegares!

- Sim amor! Como faço sempre! – dei-lhe outro beijo e saí juntamente com o David do estádio